30/05/2009

O Triste Destino do Pobre Pintinho

Olá, pessoal! Sou o mais novo por aqui. Gostei tanto da idéia do blog, que nem pensei duas vezes antes de aceitar o convite da Kamy de participar desse espaço onírico psicodélico. Valeu, Kamy =)

Mas vamos aos sonhos, né? Lá vai o dessa noite:

Não lembro direito porque, mas a ocasião envolvia muita gente. Carros entrando e saindo, pessoas festejando, pessoas tensas, o frio da noite quase incomodava, os carros quase atropelavam os pedestres no pátio, quando alguém veio pra mim e me entregou um pinto.

Não, minha gente, não era um sonho erótico homossexual, se tratava de um filhote de galinha, amarelinho, frágil e bem pequeno. A mulher que acabara de me entregá-lo recomentou, com aquele ar de diretora de escola rabugenta: ”Toma muito cuidado, táá, com ele… ele precisa urgente de um lugar pra morar, senão vai morrer de stress, tááá?”… E saiu de perto, desaparecendo na multidão e me deixando lá, perplexo, com o pinto na mão, tentando assimilar o quanto minha vida tinha acabado de mudar com aquele novo compromisso.

Me perguntei se ele estava mesmo vivo, já que não se mexia na minha mão, e nesse momento, como se ele pudesse ouvir meus pensamentos, ele mexeu milimetricamente uma das asinhas, fazendo cócega na minha mão e deu um piado tão fino que parecia o som desses brinquedos de apertar de bebê . Foi como se eu tivesse acordado pra minha nova missão: levá-lo em segurança pra minha casa. Mas tinha uma multidão entre nós e o lugar onde eu tinha deixado meu carro.

Não pensei mais, abriguei o animalzinho entre minhas mãos unidas em forma de concha, trouxe-o pra perto do meu corpo e saí correndo em disparada pela multidão, abrindo espaço por meio de ombradas, cotoveladas e pedidos de licensa apavorados, sempre olhando se o pintinho estava bem, sem me preocupar com as pessoas que eu derrubava no processo. Ele precisava mais de mim do que qualquer outro ser vivo naquele momento.

A cada passo ele ficava mais tenso. Tremia, piava, respirava com dificuldade, até que eu finalmente cheguei no meu carro. Consegui abrir a porta com facilidade, apesar de ter que tomar cuidado pra ele não pular pra fora da minha mão enquanto se contorcia.

O difícil foi conseguir dirigircom uma mão pra manejar o volante e trocar de marcha e um cotovelo pra segurar o volante nquanto mudo de marcha. Não podia ir muito rápido porque a capacidade de manobra estava comprometida e ao memso tmepo não podia ir muito de vagar poque ele não tinha muito tempo. Sorte que era noite e não havia quase nenhum carro na rua.

Quando finalmente cheguei, não era a casa que eu moro hoje, mas o apartamento que eu morava até o ano retrasado, vai saber por que. Estacionei o carro de qualquer jeito, depois de acalmá-lo eu poderia pensar em voltar ao estacionamento e fazer a coisa direito, mas não naquele momento. A prioridade era fazê-lo se sentir em casa.

Mas a cada passo da minha corrida do local onde eu estacionei até a entrada do meu apartamento, por entre as passarelas que circulavam o estacionamento e davam acesso a cada um dos 4 prédios, ele ficava mais longe de se acalmar. Quando eu estava na escadaria que dava aacesso ao meu prédio, olhei pra ele em minhas mãos e o pobrezinho já estava com o bico completamente aberto, tremendo desespertado.

Quando cheguei na porta de vidro, a porta de entrada do meu prédio, apenas a alguns passos da porta do meu apartamento, que ficava no térreo mesmo, ele começou a girar em alta velocidade na minha mão. Ele girava tão rápido, que só dava pra ver um borrão amarelo.””Não! Não! Não! Aguenta firme, aguenta firme!”

Mas era tarde demais. Ele parou de rodar e tinha se transformado em um pequeno punhado de lã amarela emaranhada na palma da minha mão. Sem piado, sem o som do atrito das penas na minha pele… nada… só a batida violenta do meu coração, que socava revoltado as paredes da minha caixa toráxica, e a minha respiração ofegante.

Coloquei o emaranhado de lã no chão, na esperança dle se transformar na pequena ave novamente, mas não adiantou. Ele só se mexeu com a lufada de vento frio que apareceu por um instante pra me consolar e continuou imóvel.

Levantei tristee me apoiei na porta de vidro. Aquilo não podia ter acontecido. Faltava muito pouco pra chegar em casa! Muito pouco. Mas logo a voz da minha consciência apareceu e disse que eu tinha feito o meu possível pra salvá-lo. Eu respondi que não poderia me contentar com isso e ela me disse que o importante é fazer escolhas com as quais eu posso conviver.

5 comentários:

  1. Mesmo em sonhos, é um ser humano surpreendente. Vai saber...

    ResponderExcluir
  2. o pintinho moorrreeuuuu ..

    snif

    ResponderExcluir
  3. o importante é fazer o possível. o resto é consequencia... a perfeição não é desse mundo. Legal seu sonho, no final, o pintinho ter virado uma lanzinha amarela foi até poético. melhor que simplesmente um pintinho morto!

    ResponderExcluir